(continuação)
Como testemunhos particularmente importantes sobre a vida e obra de Alberto Iria salien-tamos os de Joaquim Veríssimo Serrão e de Pinheiro e Rosa, o primeiro dos quais, enaltecendo a íntima ligação que manteve a vida inteira com a sua província, não vacilou em considerá-lo o “Cro-nista-mor dos Algarves”, no decurso da cerimónia na Casa do Algarve em que o ilustre olhanense foi agraciado com o Grande-Oficialato da Ordem Nacional do Infante D. Henrique.
Segundo o Prof. Pinheiro e Rosa a epopeia dos descobrimentos quatrocentistas constituiu tema de muitos dos trabalhos (mais de uma centena) de Alberto Iria, muitos dos quais publicados postumamente como um conjunto de onze estudos, a maior parte comunicações apresentadas à Academia Portuguesa de História e reunidos pelo Centro de Estudos Gil Eanes, de Lagos, sob o título “O Infante D. Henrique no Algarve”.
Para Pinheiro e Rosa, como para a maioria dos historiadores, Alberto Iria foi um “investiga-dor probo e cuidadoso”, afirmação que vemos repetida pelo Dr. Mário Alberto Nunes Costa ao suce-der-lhe na cadeira nº. 22 da Academia Portuguesa de História, instituição científica onde o nosso comprovinciano entrou em 1957, como académico correspondente, e onde, trinta anos depois, foi eleito Presidente de Honra.
A posse de Mário Nunes Costa foi um momento alto de consagração pública de Alberto Iria, onde intervieram ainda o presidente da APH, Veríssimo Serrão, Justino Mendes de Almeida, a quem coube responder ao novo académico e D. Conceição Pires, em representação da edilidade olhanense.
A série de intervenções daquele acto solene foi encerrada pela neta – D.Cristina Lacasta Iria – que elogiou o papel que na vida de seu avô tiveram a sua primeira esposa e a sua viúva, D. Clotil-de das Dores Boto Iria.
Seria fastidioso referir aqui todos os institutos e academias a que Alberto Iria pertenceu por mérito próprio e que reconhecendo o seu valor científico, lhe atribuíram os mais altos galardões.
Cremos, contudo, que não é demais é realçar, no âmbito da Comunidade Lusíada, que ele foi sócio (de honra ou correspondente) de numerosas instituições brasileiras - Liceu Literário Portu-guês (Rio de Janeiro), Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Institutos Históricos e Geográficos de S. Paulo, de Minas Gerais e do Maranhão, Institutos Históricos de Iguarassu e de Petrópolis, Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Instituto Geográfico e Histórico Mili-tar do Brasil e Academia Paulistana de História, o que se aceita como natural na medida em que são considerados “notáveis os catálogos que organizou e publicou dos documentos portugueses com interesse para a História do Brasil...”
Vou terminar estes apontamentos em que gostosamente pretendi chamar a atenção para a vida e obra deste prestigiado concidadão.
E vou faze-lo, como ele fez numa das suas obras, ao pretender exaltar as qualidades dos marinheiros algarvios citando João Lúcio, outro conterrâneo igualmente ilustre:
Que marinheiros há que sejam mais capazes
D’uma epopeia erguer no dorso dos navios?!
Que outra raça nasceu de pescadores audazes,
Heróicos como são os bravos algarvios?!
* Lic. em Sociologia
























