Já estreou nas salas de cinema portuguesas a mais recente produção musical de Hollywood. “Nove” é o título do filme que recupera um dos géneros clássicos da história do cinema.
Realizado por Rob Marshall, nomeado ao Óscar em 2002 por “Chicago”, um dos melhores musicais da última década, “Nove” conta com um elenco de luxo onde se destacam Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cuz, Nicole Kidman e Sofia Loren.
Baseado no show musical de Arthur Kopit e Maury Yeston, que foi um dos maiores êxitos da Broadway no início dos anos 80, “Nove” é uma adaptação musical da obra-prima de Frederico Fellini, “8 ½”, mantendo o tom por vezes surrealista da película original através de uma perfeita interacção entre a história e os números musicais.
Com coreografia a cargo do realizador Rob Marshall, o filme apresenta 12 números musicais, quase todos representando monólogos interiores dos personagens e nos quais as letras constituem diálogos musicados.
As canções, apesar de melodicamente agradáveis, não são particularmente fortes e com a excepção de “Cinema Italiano” interpretada por Kate Hudson, nenhuma revela potencial comercial suficiente para passar nas estações de rádio FM.
“Nove” é a história de Guido Contini, um famoso realizador italiano que atravessa uma crise de meia-idade com sérias consequências na sua vida pessoal e profissional.
Tal como no filme de Fellini, “Nove” é simultaneamente uma sátira à indústria de cinema e uma reflexão sobre as dificuldades inerentes ao processo criativo.
Na sua essência, “Nove” é um filme sobre a criação de uma obra cinematográfica que se concretizará apenas quando o personagem principal encontrar o equilíbrio emocional que lhe devolverá a inspiração criativa.
Na actual era dos “Matrixes”, das “Guerras das Estrelas” e dos “Homens Aranhas”, em que o público de cinema rejeita as convenções de um género cinematográfico que se confunde com a própria história do cinema, vale a pena assinalar a estreia de uma produção musical tão ambiciosa como o filme de Rob Marshall. Na verdade, ainda que dificilmente se venha a tornar um clássico do género, “Nove” possui pelo menos o mérito de manter viva uma rica e valiosa tradição do cinema de Hollywood.
* Investigador Universitário


























