Ao folhear o Correio da Manhã de 27 de janeiro último, deparei-me com uma pequena notícia que anunciava a ocorrência de um debate, à cerca do tema acima referido, demonstrando assim o interesse que esta questão está a suscitar na opinião pública louletana e um pouco por todo o Algarve.
De imediato desloquei-me ao local onde se realizou o evento e na qualidade de observador atento, isento e sobretudo com algum conhecimento da realidade circunstancial em que me insiro, julgo que é meu dever cívico evidenciar três ou quatro sublinhados que transpareceram com algum realce e ênfase dessa reunião e que passo a enumerar:
a) Foi muito confortável e entusiasmante que esse encontro fosse proporcionado por uma organização de juventude a “ANJE” que ilustra que nesta instituição associativa brotam sintomas indiscutíveis de dinâmica e empenho, próprio dos jovens que se preocupam com o futuro que é seu, ao contrário dos mais velhos que, muitos vezes viciados, enquistados, acomodados ou até comprometidos, não estão tão disponíveis para destrinçar com linearidade e nitidez a grande diferença que existe entre a defesa de todos os interesses e a defesa do interesse de todos, que é determinante para quem tem a alta responsabilidade de decidir.
b) A equipa técnica que presidiu à mesa, fortemente apetrechada e muito aureolada (cuja denominação omito para não fazer publicidade), expôs de forma soberana, minuciosa, racional e concisa, quase com rigor científico, os prós e os contras, ou seja, os benefícios e os prejuízos de cada uma das duas localidades propostas e que são do domínio público.
Os seus elementos frisaram, com muito pertinência, serem técnicos e só nessa qualidade ali se encontravam e as suas opiniões estribavam-se exclusivamente em itens dessa natureza, com as valências que esse conceito encerra e consubstancia, rejeitando in limine qualquer conotação política, que não é da sua conta, a qual cabe indubitavelmente ao executivo camarário.
c) Não é de somenos importância salientar que foram muitas as entidades representativas de sectores nucleares da economia e da sociedade algarvia, como os Presidentes do NERA, AHETA, AHISA, CEAL, AEQV, Turismo, etc, que marcaram presença e deram um contributo poderoso trazendo à colacção argumentos que vieram enriquecer o debate, torná-lo mais democrático e sobretudo mais esclarecedor e consistente.
Com cerca de 150 participantes, oriundos de vários extractos sociais e de diferentes quadrantes ideológicos, foi interessante observar que algumas intervenções, que apesar de não primarem por uma semântica formal elaborada, estavam carregadas de conteúdo que pressupunham uma reflexão aturada.
d) Problemáticas como o ordenamento territorial, acessibilidades, ambiente, tráfego, Hospital Central e outros ingredientes cuja conexão com a localização do Cluster podem pesar decisivamente na opção política a tomar pelo órgão próprio, foram escalpelizadas à exaustão, sendo certo que não existem soluções perfeitas, mas sim umas melhores que outras e a opção Loulé-Centro foi acolhida por unanimidade pelos presentes, com a presunção que essa escolha estaria mais em consonância com os interesses de Loulé e do Algarve.
* ex-presidente da Assembleia Municipal de Loulé

























