Muitas tem sido as campanhas que se desenvolvem para levar os cidadãos a terem um comportamento mais ecológico e mais cívico em termos de desperdícios e sensibilização para que não tenham comportamentos “porcos” (palavra violenta?), porque o hábito de deitar o lixo para o chão é normal numa franja alargada da população portuguesa. Seja nas cidades, nos jardins, nas praias, etc, não se coíbem de deitar o lixo no chão, mesmo que a poucos metros esteja um recipiente para depósito do lixo (o chamado caixote do lixo). Por vezes, essas campanhas incidem nas crianças, pensando os seus promotores que assim estaremos a formar e a sensibilizara os “cidadãos do amanhã” para comportamento diferentes dos mais velhos, mas logo que crescem, adquirem os vícios e os defeitos dos mais velhos, porque estes são exemplos (maus) para esses comportamentos. A própria juventude tem comportamentos “vergonhosos”, nessa matéria, mesmo no interior das escolas, onde a “lição” deveria ser aprendida. Assim, para qualquer lado por onde andemos, o lixo (sacos, latas, garrafas, papeis, etc) faz parte da nossa paisagem, como que “decorando, com o seu colorido e a sua variedade”, o nosso meio ambiente, com enormes malefícios, incluindo os efeitos na vida anima e vegetal, porque muitos desses detritos são arrastados pelos rios até ao mar, cuja viagem pode ser de milhares de quilómetros e porque não são degradáveis acumular-se-ão por muitos anos. A poluição dos solos e da água é também uma séria ameaça para a sobrevivência do “bicho homem” que não pára de destruir o seu próprio habitat.
Este é um problema de educação e formação cívica dos portugueses e que não se vê em países europeus desenvolvidos e que, por isso, nos deveriam deixar envergonhados, ainda mais num país que aposta forte no turismo. Sinto vergonha e também uma “dor na alma”, com o que os meus olhos vêem. Como dar a volta a isto? O que fazer para alterar os comportamentos de todos, para alem da sensibilização para práticas de colocação dos resíduos nos recipientes apropriados (os chamado eco pontos), para serem reciclados posteriormente? Mais campanhas? Algumas delas até parecem anedóticas, por exemplo, a campanha das “tampinhas” levando os “porcos” a ficarem com a tampinha da garrafa de plástico, para entregarem a instituições, numa atitude louvável de altruísmo, mas deitarem a própria garrafa no chão ou deixá-la na areia da praia! É, no mínimo, caricato e anedótico, se não fosse triste. E o que dizer da resposta dada pelos “porcos” quando argumentam que deitar lixo para o chão “cria emprego” porque dá trabalho aos empregados de limpeza das câmaras municipais? De facto assim é e que o digam as autarquias que têm feiras nas suas áreas e que depois de “desmontadas as tendas”, têm que mobilizar um batalhão de empregados (argumento daqueles que dizem que deitar lixo no chão cria emprego!) para limparem o lixo que os feirantes deitam e deixam no chão. Exemplos? Por todo o lado onde há feiras é visível este triste cenário e que tem custos para as autarquias, queixando-se estas que as taxas camarárias recebidas dos feirantes não pagam essas despesas!
De qualquer modo há campanhas que, pelo menos no imediato, são eficazes, nomeadamente aquelas de recolha de lixos levadas a efeito em parques, praias, etc. Anuncia-se uma campanha e acção, a nível nacional, para o dia 20 de Março e que se chama: “vamos limpar Portugal num só dia”. Esta é uma feliz imitação (todas as coisas boas devem ser imitadas e há tantas que nós, portugueses, poderemos e devemos fazer dos bons exemplos que existem noutros países) duma campanha levada a cabo num pequeno país, a Estónia, em Maio de 2008 onde os cidadãos recolheram toneladas de lixo das matas e parques do seu país. Provavelmente, no nosso o sucesso vai ser grande e farta a colheita, porque o lixo abunda por todo o lado. O sucesso estará na proporção da adesão dos cidadãos mas, mais do que a “colheita” desse dia, deseja-se que ele sirva de exemplo para alterarmos comportamentos nessa matéria, em benefício desta terra onde estamos de passagem e cujo legado aos vindouros está ameaçada. Provavelmente aqueles que vão aderir ao trabalho desse dia não são os “porcos” que conspurcam um país que é de todos, mas onde se aplica o ditado: “uns sujam, e outros limpam ou pagam para limpar”. Que esse dia represente uma viragem comportamental nos cidadãos e também nas empresas poluentes, para que salvemos este planeta (terra) fortemente ameaçado, antes que seja tarde e a nossa qualidade de vida seja irremediavelmente afectada. Eu vou aderir e participar e já me inscrevi no sítio da Internet - www.limparportugal.org. Mas deseja-se que esta campanha e esta acção, suportada num movimento cívico e altruísta, continue e que nada fique como dantes e que leve os “porcos” a adquiram atitudes de gente civilizada, para bem de todos nós e do meio envolvente. “O ambiente agradece”.
* Economista
























