Nas últimas semanas, a crise política que se gerou em torno do Orçamento do Estado com enfoque na transferência de verbas para as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, “obrigou” o ministro das finanças a dar uma conferência de imprensa com a qual pretendeu esclarecer os motivos da sua recusa em ceder tais pretensões.
Teixeira dos Santos invocou mesmo a Lei de Enquadramento Orçamental para travar as transferências para a Madeira, alegando que não iria, por nada deste mundo, colocar em risco o equilíbrio das contas públicas. Tinha-se travado um “braço de ferro”, como todos se recordam e não havia volta a dar... porque quem manda estava a mandar… e ponto final!...
Mas, quis o destino que entretanto o Governo da República tivesse que ceder – perante a tragédia – e foi ao Funchal lamentar as vítimas, dizer que para além da sua solidariedade para com os madeirenses, serão concedidas todas as ajudas necessárias à reposição da normalidade...
Ou seja, foi anunciar a concessão de ajuda alguns milhões de vezes superior às diferenças que antes estavam em causa. E o equilibrio das contas públicas deixara de estar em causa!...
Enfim, se Deus existe, como é minha convicção, estaremos perante um caso de doutrina humanitária. Aliás, há um ditado popular que não sei se poderá ser aqui aplicado, e que diz o seguinte: “-Deus escreve direito por linhas tortas”.
Com efeito, não consigo interpretar se Deus inscreveu nesta catástrofe algum “esclarecimento” ou se se tratou de justiça e para que lado foi feita: se para os madeirenses, que não deveriam reivindicar mais do que aquilo que já tinham direito; se para o lado do Governo que deveria conceder os apoios solicitados sem tamanha discussão.
O que sucedeu foi a meu ver como que um “esclarecimento divino” para que o Homem perceba que tem de haver maior tolerância, mais compreensão, menos egoísmo e nenhuma arrogância. Se a vontade de Deus também esteve presente na catástrofe que se abateu sobre a Madeira, cabe ao Homem retirar as devidas ilações, designadamente, não usurpar regalias que a Mãe Natureza não lhe concede...
Por outras palavras: “Nunca desejes aos outros o que não queres para ti”.


























