Em ano de comemorações centenárias vamos recordar alguns algarvios que contribuíram para a implantação da República e posteriormente a serviram nalguns casos com abnegada dedicação.
Correndo o risco de repetirmos algo que já tenhamos referido, começamos pelo olhanense José Carlos da Maia (1878-1921), oficial de Marinha (chegou a Cap. de Fragata) e membro da Maçonaria.
No 5 de Outubro integrou o comité revolucionário, ombreando com Mendes Cabeçadas e Machado Santos, participou no assalto ao Quartel dos Marinheiros de Alcântara e tomou o cruzador D. Carlos, o mais poderoso da Armada Portuguesa, o que modificou a favor dos republicanos a correlação das forças em confronto, com uma actuação que Machado Santos considerou “uma das mais brilhantes da Revolução”.
Depois foi Deputado por Lisboa (1911), Governador de Macau (1914/16) e integrou dois elencos governamentais – Ministro da Marinha com Sidónio Pais (1918) e Ministro das Colónias com José Relvas (1919) – necessariamente por pouco tempo já que de 5 de Outubro de 1910 a 30 de Maio de 1926 o país teve quarenta e três governos.
A situação política em que Carlos da Maia viveu foi criada por Sidónio Pais no seguimento da participação de Portugal na I Grande Guerra, conjuntura que acarretou grandes dificuldades ao dia a dia das pessoas, com escassez dos géneros alimentícios, racionamento e fome.
O Povo, como noutras épocas, não compreendia as razões da guerra nem da nossa participação nela, pelo que, partidariamente estimulado pelos unionistas e monárquicos, exigia que não fosse enviado nem mais um soldado para França ou para Moçambique.
(continua)
* Lic. em Sociologia























