A ascensão do poder autárquico no PSD, representada pela vitória de Luís Filipe Menezes nas últimas directas, “é a coisa mais grave” da história do partido, defendeu o jornalista e “opinion-maker” Pedro Mexia, perante os alunos da Universidade Meridional (UM).
Um “representante da Direita moderna”, nas palavras do líder do PS-Algarve, Miguel Freitas, conversou “descomplexadamente” na UM – uma iniciativa dos socialistas algarvios que pretende formar quadros políticos –, no passado sábado, sobre a divisão entre esquerda e direita, partindo do tema “Novos Desafios, Novos Caminhos: uma resposta ideológica de direita”.
E Pedro Mexia, também escritor, crítico literário e bloguista, ainda que formado em Direito, cujas ideias podem ser lidas, por exemplo, em http://www.estadocivil.blogspot.com, cumpriu a preceito o papel de polemizar.
Desde logo, nas críticas ao PSD e à “ascensão do poder autárquico” no partido. “Não me parece que a qualidade de vida das autarquias portuguesas indique grande vantagem”, disse, frisando que aconteceu a “coisa mais grave da história” do partido agora liderado por Menezes.
Voltando atrás, Mexia pegou na lição do ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, dada na semana anterior [ver notícia relacionada], e comentou as suas ideias, manifestando alguma perplexidade em alguns pontos.
Na questão do centro, em termos políticos, o jornalista sustentou que “é um lugar de vazio ideológico mas não um vazio eleitoral”. “É aí que estão cerca de um milhão de pessoas que tanto votam PS como PSD e decidem as eleições.”
Em relação aos valores da esquerda – que Santos Silva definia como liberdade, igualdade, justiça, colectividade, diferença –, Pedro Mexia ficou de pé atrás com a justiça e a diferença, esta classificada como “um acrescento pós-moderno”.
“A diferença ou tolerância, enquanto princípio genérico, não nos leva a lado nenhum. Tolerar algumas práticas de comunidades com códigos culturais diferentes – por exemplo, a excisão –, e não fazer nada contra apenas porque se defende a diferença, parece-me bastante discutível”, salientou.
Também os pontos de contacto entre o socialismo e outras áreas, como a democracia-cristã, uma ideia defendida por Augusto Santos Silva, levanta dúvidas ao jornalista.
“A democracia-cristã é, desde logo, uma ideia abominável. Espanta-me é como é possível incorporar esta doutrina junto da doutrina laicista”, argumentou.
Para Pedro Mexia, a maior diferença entre esquerda e direita é o facto de a primeira acreditar no ser humano “como criatura excelente”, se inserido num contexto económico e político-social viável.
“É comum ouvir-se, a seguir a alguma tragédia, ‘como é possível?’. Mas, olhando para o mundo em que vivemos, a pergunta não devia ser ao contrário? Não creio que vamos descobrir nada no ser humano que não saibamos já. É por isso que sou de direita”, sustentou.


























